quarta-feira, 22 de abril de 2026

Fundamentos de um recomeço

Sonhos são expectativas de uma realidade que ainda não foi vivida. São esperanças de algo melhor. Sonhos são vida.

Brotam em terrenos inimagináveis, criam raízes em solos de desejo e carregam, dentro de si, a ambição.

Bom, até aqui estamos falando de sonhos — não de obsessões que levam ao enlouquecimento. Falo de sonho, de amor, de segurança. No geral, sonhos são visões do auge de uma meta traçada.

O que muitas pessoas esquecem é que um bom sonho, para ser realizado, precisa de um plano.

Segundo os princípios da engenharia e da arquitetura, um plano estrutural é o detalhamento técnico (fundações, pilares, vigas, lajes) que garante a segurança, a estabilidade e a durabilidade de uma edificação. Trazendo isso para um âmbito mais metafórico, para que uma meta seja cumprida, é necessário planejamento.

Sim, planejar: construir uma base forte e sólida, entender o percurso, aprender com os erros, criar um plano estrutural.

Também é necessária constância, insistência, busca. As coisas não caem no colo — é preciso ir atrás.

Algumas pessoas até alcançam fragmentos de um sonho sem entender o que é organizar e planejar. Outras conseguem, mas passando por cima de quem estiver no caminho. No geral, ambas acabam despencando. Não ter estrutura te derruba como uma torre de Lego.

No geral, eu sei montar planos. Sou boa com isso, mas o meu problema é manter a constância.

E aqui o assunto se torna delicado.

Minha vida é cheia de planos e sonhos que não se concretizaram. Eu já me acostumei a ser um projeto inacabado. Pode parecer triste — e talvez seja um pouco. Ainda assim, tento não me abalar com as minhas dificuldades.

O problema é perder o interesse rápido demais, sair pulando de projeto em projeto, sem de fato concluir nenhum.

Bom, dizem que aceitar e entender os próprios erros e defeitos é o primeiro passo para a mudança. Não sei, pode ser verdade. Espero que seja, de alguma forma.

No momento, meu maior sonho é simples: concluir algo, viver a sensação do auge.

É curioso pensar que minha maior meta hoje é criar uma meta e levá-la até o fim. Parece estranho, mas é isso.

Viver um sonho deve ser incrível. Claro, devem existir momentos difíceis. Não dá para romantizar uma vida perfeita — porque ela não existe.

Mas, de qualquer forma, ainda é bom me apegar às esperanças que um sonho traz. Talvez seja por elas que, mesmo depois de tantos começos interrompidos, eu ainda queira tentar de novo, com mais cuidado, mais paciência — e, quem sabe, com fundamentos mais firmes dessa vez.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A origem do meu fracasso

Segundo o dicionário, a palavra decepção significa:

Sentimento de tristeza, descontentamento ou frustração que surge quando expectativas, esperanças ou crenças sobre pessoas, situações ou resultados não se concretizam. Uma forma de desilusão ou desapontamento que ocorre quando a realidade difere do que era esperado.

Chega a ser assustador quando me dou conta da forma como um texto de dicionário pode externalizar sentimentos profundos — ainda mais quando o sentimento é algo que estou sentindo no momento.

Decepções fazem parte da vida, das fases, dos momentos, das pessoas e de tudo o mais. Porém, quando sentimos, é sempre surpreendente. As decepções não brotam em terras secas, não vêm de indivíduos desconhecidos ou de pessoas com laços afetivos positivos... Elas nascem e criam raízes onde não esperamos. Constroem-se nos ambientes que amamos e destroem confianças que demoram anos para serem construídas.

Decepção dói, corrói, machuca e cria dor... Decepção mata.

A nascente de tanta frustração vem de mim mesma. Essa é minha primeira fonte.

Eu nunca, de fato, me amei. Nunca fui boa para mim mesma, nem para nenhum outro ser humano. Isso é claro. Deixo essa dolorosa informação registrada: eu sou minha maior decepção. Esperava de mim mesma algo melhor, algo maior. Criei a expectativa de um mundo incrível e glorioso. Não cumpri o dever comigo mesma. Apenas sonhei e nunca fui capaz de realizar algo brilhante. Eu sou uma fraude ambulante, um grande desperdício de tempo e espaço.

A segunda decepção vem de onde eu imaginava que viria, mas ainda havia esperanças. Meu círculo familiar nunca foi exatamente estruturado. A configuração é estranha, mas ainda é uma família. Então, criei uma certa ilusão de que seria compreendida. Mas eu não sou, e nunca fui.

Apenas olham meus fracassos, apontam minhas falhas e esfregam nas minhas narinas o quão inútil eu sou. É dolorido viver isso. É dolorido ser a filha não funcional e improdutiva. Se bem que não julgo tanto. Depositaram em mim confiança e expectativa para, no fim, eu me tornar um grande nada.

Talvez a verdadeira dor não seja por não ser compreendida, mas por nunca, em nenhum espaço de tempo, questionarem a mim o motivo de eu não ter conseguido. Claro que vão falar sobre as mãos que se ergueram ao longo do caminho. Mas ninguém fala que a mesma mão que estenderam também foi a mesma que me empurrou.

Estou aqui, vivendo as minhas dores. Inalando as frustrações. Existindo num eterno vazio.

Essa decepção me impede de muitas coisas. Não tenho coragem de me olhar no espelho. Em alguns dias, eu não consigo me levantar da cama.

Enquanto eu me enrolo em mim mesma e me alimento das minhas amarguras, dentro da minha cabeça existe uma voz — a minha voz — gritando por ajuda. Ninguém escuta. Eu estou me esvaindo a cada dia.

Preciso me levantar e fazer algo pela vida. Mas questiono se, diante de tanto descontentamento, existe motivo para viver.