A etimologia da palavra prisão deriva do latim prehensio, -onis, que significa "ato de agarrar, de segurar ou de prender".
No início, o termo não era sinônimo de um edifício ou de um lugar destinado a manter pessoas privadas de liberdade por contrariar leis estabelecidas. Referia-se apenas ao ato de capturar alguém ou ao estado de sujeição de quem havia sido capturado. Claramente, as coisas mudaram.
Grande parte das pessoas associa a palavra apenas ao cárcere: à privação do direito de ir e vir. Eu já não consigo enxergá-la somente dessa forma.
Também é prisão subjugar alguém pelas próprias crenças. Desmerecer sentimentos. Invalidar o lento processo de reconstrução de uma pessoa. Depositar expectativas desmedidas e esperar que ela corresponda a todas. É manter alguém preso ao medo, segurá-lo quando deseja partir e, ao mesmo tempo, ameaçar abandoná-lo.
Ainda assim, talvez a mais cruel de todas as prisões seja aquela que não possui grades.
A prisão mental não faz barulho. Ela não precisa de cadeados, muros ou sentenças. Basta um quarto escuro, compromissos adiados, mensagens não respondidas e a sensação constante de que levantar da cama exige uma força que já não existe.
Nem todas as pessoas compreendem o que é a depressão profunda. Aquela que consome as entranhas, rouba a vontade de continuar caminhando e que, ao mesmo tempo em que traz a melancolia, impõe um vazio difícil de nomear. A solidão cercada por pessoas. Outro ergástulo doloroso.
Há dias em que a maior vitória é apenas continuar existindo. Mas essa vitória raramente é vista. Não existe redenção imediata. Poucos enxergam as pequenas evoluções. Poucos compreendem que sobreviver também é uma forma de resistência.
Resta olhar para o caminho e tentar encontrar a própria libertação, mesmo que ela cobre um preço alto. Algumas portas só se abrem depois de abandonarmos aquilo que nos mantinha cativos. E, por mais doloroso que seja o processo, ainda é melhor reconstruir-se a partir das próprias ruínas do que aceitar, em silêncio, uma vida inteira dentro da mesma masmorra.
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