Paz. Não haveria palavra melhor para definir este momento.
Às vezes, eu me cobro por coisas tão pesadas que pequenos desafios acabam se tornando verdadeiros obstáculos.
Hoje, porém, não estou sentindo esse peso tão esmagador. Minha cabeça está em silêncio, e os únicos sons que a atravessam são o canto dos pássaros e o vento balançando as folhas.
O sol da manhã estava reconfortante. A paisagem das montanhas convidava para um café, e o cheiro da terra é incomparável a qualquer outra coisa. Talvez viver aqui seja uma saída para os meus medos e desafios.
É provável que eu esteja embelezando demais este momento. Quando estamos em paz, é fácil esquecer das dificuldades. E morar no interior também é um grande desafio. Ainda assim, todos os dias me pego pensando em como seria desafiar a minha vida e deixar a cidade para trás — com seus vizinhos barulhentos, carros incessantes e ar poluído.
Morar aqui deve ser, ao mesmo tempo, tranquilo e desafiador. Cuidar de uma propriedade rural está longe de ser algo simples.
É preciso ter meios de locomoção, como um carro ou uma motocicleta, porque andar a pé nem sempre é uma opção. Também é necessário adaptar-se ao ritmo do lugar. Aqui, as coisas acordam antes do sol nascer e descansam antes que a noite termine de chegar.
Uma vida simples, sem luxos nem regalias. Será que é isso que a minha alma precisa? Abandonar um mundo que nunca dorme e trocar tudo por uma vida mais silenciosa?
Não sei qual seria a minha decisão. São apenas devaneios de uma mente que grita todos os dias e que, hoje, finalmente está em silêncio.
Por enquanto, basta-me aproveitar esta paz.
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