Uma viagem no tempo e um recomeço. Novas possibilidades, novos caminhos, novas escolhas. Porém, existe um detalhe: tudo o que veio antes é apagado. Nenhuma memória, nenhum aprendizado, nenhuma dor.
Seria compensatório viver tudo de novo? Será que eu tomaria decisões diferentes? Será que chegaria a este ponto onde estou hoje?
Hoje dói, mas ainda existe uma pessoa que me faz ficar. Em um novo mundo, ela não existiria. Talvez ela também não precisasse passar por todos esses traumas. Além do mais, não é possível sentir saudades de algo que nunca se teve.
Esses devaneios são comuns em minha mente. Costumo acreditar que, se eu não tentasse, jamais saberia. Agora começo a questionar essa crença. Porque agora que sei, talvez fosse melhor não ter tentado.
Talvez, em outra realidade ou em outra vida, eu seja diferente. Um pouco mais útil, um pouco mais feliz. Em outro mundo, eu seria a melhor amiga de alguém, teria uma vida estável, seria a garota de uma pessoa, teria uma boa carreira, seria importante de alguma forma.
Não há como voltar ao passado. Não existem maneiras de mudar o que foi feito. E talvez não seja saudável devanear sobre coisas que simplesmente são como são.
Todas essas dores podem ter ensinado alguma coisa. Talvez começar melhorias a partir do que sei traga um futuro um pouco melhor. É estranho pensar que algo virtuoso pode nascer de uma terra sangrenta.
Mas tudo isso são talvezes, não garantias. Não existem garantias para nada, nem certezas, nem caminhos fixos. Tudo muda, se enrola, se embola e retorna a uma realidade diferente. É uma imensa gama de complexidades.
Nada é exatamente branco ou exatamente preto. A vida é cinza.
Eu sinto saudades de algo que não vivi.
Ainda assim, aprendi a me contentar com a vida que tenho. Mesmo enfraquecida, continuo caminhando. Talvez alguma coisa venha a melhorar. Talvez, um dia, eu finalmente pare com esses devaneios que me levam a labirintos sem saída.
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