quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Irrealidade

Seres inconstantes seguem ritmos que se quebram facilmente. Sonhadores dos futuros que nunca se concretizam e ceifadores das próprias oportunidades.

Há de algum dia tal ser tornar-se menos autodestrutivo?

Muitas e muitas ideias e fluxos que correm pela mente. Confusos e tensos.

O saber é horripilante, e o entender é ainda mais aterrorizador. Como lidar com a compreensão que desgasta até os ossos.

São os sintomas da culpa aos quais se rendem. A inconstância de ser um indivíduo sem rumo, sem uma corrente para seguir e com pensamentos cheios de talvezes.

Como dói escrever sobre indivíduos socialmente fracassados.

As possibilidades de redenção são mínimas, e ainda mais escassa é a vontade de se redimir. E talvez esteja tudo bem, ou não… Quem pode dizer?

Linhas de raciocínio fragmentadas, pensamentos enviesados, fluxos inconstantes e ritmos quebrados. Tantas descrições abstratas, provavelmente seja isso o que pesa em suas concepções: o abstracionismo. Nada físico, palpável ou visível, apenas coisas que pairam na mente, e tenta-se compreender elementos que não possuem nomes, mas insiste-se em nomear os inomináveis.

Um mundo que se divide em muitas dimensões. Em pinturas, cenários, curtas-metragens, livros, contos e em qualquer lugar que se possa caber um cosmos de pensamentos embolorados e putrefatos.

Nada disso faz sentido aos olhares de fora, mas já não importam as opiniões alheias. A única importância é achar a falha técnica da mente, tentar consertá-la e seguir o ritmo do mundo.

Mas seres inconstantes não seguem ritmos, fluxos ou linhas. Não há consertos para esse tipo de falha. O que pode ser feito é se calar, observar o mundo e tentar reproduzir comportamentos.

Entretanto, calar percepções que se recusam a se render aos elementos palpáveis é um processo inválido. É quase impossível realizar atos que façam os mundos fragmentados se tornarem um só, e muito menos fazer com que os elementos abstratos se tornem tangíveis.

No meio de todo o caos que se instala, sabe o que mais é assustador? O poder de perceber que tudo está se desfazendo e ter a compreensão de que está se tornando insano.

Abençoado seja aquele que se rende sem o entendimento de que é um ser improdutivo perante as regras de juízo social, pois o último ato dessa peça aterradora é assimilar que o desequilíbrio é o único elemento abstrato que começa a tomar forma real.

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