Expectativa — Sub. Feminino
Condição de quem espera que algo aconteça [...]. Estado de quem espera algum acontecimento, baseando-se em probabilidades ou na sua possível efetivação [...]. Desejo intenso por algo próspero.
Questiono há algum tempo o que compõe as expectativas de um ser humano. Não pude responder com algo concreto. Entretanto, podemos dizer que a expectativa é o anseio por um acontecimento.
Posso discorrer em pensamentos embolados e complexos sobre o que entendo por expectativas, mas esse não é o meu objetivo. Não quero entrar em confronto com a carga de subjetividade dos desejos individuais.
O que eu gostaria de expor em fatos está além do campo científico e físico, e se atrela aos emaranhados psicológicos. Não que ambas as áreas não tenham o poder de se misturar, mas o que quero expor vai além do que se pode descrever em artigos, estudos ou teorias. Talvez isso seja uma fuga para acontecimentos pessoais.
As expectativas fogem da materialidade e adentram o imaginário. Geralmente, são elas que formam os famosos “E se...” da vida. O que não é de todo ruim, todavia, também não se pode considerar exatamente bom.
Obviamente, quando uma expectativa é correspondida de forma positiva, podemos descrevê-la como um aconchego da alma ou a felicidade em um estado de ápice. No entanto, quando é correspondida de forma negativa, é quase como a queda de um penhasco.
Algumas pessoas conseguem lidar bem com as frustrações que se desenrolam depois de uma queda, porém nem todos têm o mesmo autocontrole. De fato, é decepcionante lidar com o depois de um “E se...” que não se concretiza, mas essa é a vida real: não se pode ter tudo aquilo que se deseja.
Essa via de mão dupla entre a expectativa e a realidade nem sempre possui um limite definido. Existem pontos em que podem se misturar brevemente, para depois se afastarem por completo. É como uma armadilha cruel, que deixa um ser em estado de estupor, criando cenários inexistentes, baseados puramente em possibilidades.
Não existem garantias quando falamos de probabilidades. Tudo é incerto.
Claro que todo esse texto possui o meu enviesamento pessoal. Aqui, as coisas são baseadas nas minhas experiências. E é justamente nesse embasamento que tento regrar minha vida, para não criar expectativas com relação a algo. Mas não vou mentir: peco nessa parte.
Tenho como mantra viver uma vida sem expectativas e me basear no mundo real. Porém, devo admitir que viver sem desejos por acontecimentos inconcretos é quase impossível. Talvez seja por isso que este texto nasceu. Uma frustração pessoal, na qual preciso lidar com a perda de algo que nunca me pertenceu.
Contudo, não posso dizer que estou afundada em decepção. Tento levar os acontecimentos como quem carrega uma bagagem de experiências. Já vivi frustrações muito piores e sobrevivi a todas.
Gosto de pensar que as coisas possuem um propósito. Ainda que meu posicionamento sobre as teorias de que o universo age sobre a vida humana soe crítico, seria muito hipócrita dizer que não existe um propósito nos acontecimentos, mesmo sem a atuação de um ser soberano.
Acontecimentos frustrantes ou não possuem o propósito de nos ensinar algo, principalmente sobre como é necessário levantar do penhasco, sacudir a poeira e continuar andando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário